Esta lenda ocorreu nesta humilde ruína ao qual já há varias gerações se dá o nome de Covil da Víbora.
O relato conta, que neste covil vivia pelo ano de 750 D.C. uma víbora possuidora de grande fortuna em ouro, diamantes e rubis, provenientes de anteriores vitimas, mouros que por aqui habitavam em pequenas cabanas, mas possuidores de grandes valores das conquistas.
Como a víbora era temível em toda a redondeza resolveu aliciar os camponeses, que moravam em volta, com a seguinte proposta: quem lhe trouxesse um familiar próximo para ela beber o seu sangue e devorar o seu coração, ela retribuía com o peso dessa pessoa em ouro, caso o indivíduo fosse virgem, duplicava o seu peso em ouro.
Muitos dos camponeses gostaram da oferta e como os tempos eram muito difíceis, alguns não resistiram à tentadora proposta, pelo que engordavam os seus filhos e filhas, mães e pais, tudo pela ganância de ficarem com uns bons quilos de ouro a mais, graças ao seu peso extra.
Os anos foram passando, as pessoas foram diminuindo e a cobra foi crescendo, até que um dia, um casal muito simples que vivia na Quinta de S. Roque resolveu levar um dos seus entes queridos à víbora. Como não tinham nenhum familiar nem filhos resolveram fazer um de cera e vesti-lo com roupas de criança para dar ar de inocência de forma a agradar a cobra.
Assim fizeram e rumaram a este sítio, numa carroça de bois que lhes tinham emprestado. Encontraram a víbora e entregaram o rapaz de cera, a víbora pesou e pagou o ouro aos camponeses em ouro.
Quando ela se preparava para arrancar o coração reparou que este não palpitava no peito, descobrindo então que tinha sido enganada. A víbora, então, muito chateada, por ter sido ultrapassada pelos aldeões, serpenteou pelos pinhais abaixo, tendo dado com os camponeses a regozijarem-se pelo feito. Ficou ela ainda mais nervosa e atacou-os, mas não para os matar e sim para os escravizar, ficando no covil dela para lhes ir bebendo o sangue aos poucos e aos filhos deles quando nascessem, assim foi criada aqui a pequena localidade de Bárbara, que era o nome da víbora.
Quando os seus filhos nasceram e cresceram, de seus nomes Roque e o Arco, rápido se aperceberam que algo estava errado e atacaram a serpente, quando acharam que tinham as forças suficientes. Arco, mais fraco, pereceu aquando o conforto com a víbora, mas Roque forte e impiedoso deu um golpe em cada olho da cobra de maneira que pôde fugir com toda a sua fortuna e com o corpo de seu irmão.
Reza a historia, que esse tesouro está por esta paisagem enterrado, sabendo-se quase com exactidão o local do mais valioso artefacto, o Gato D’ Ouro, mas isso e outra historia…
Diogo Miguel Cardoso Almeida
